Archives for the month of: Julho, 2008

porque a fiona sempre percebeu que, às vezes, o mundo dói.

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amanhã às seis da tarde entro de férias. duas semanas. a vontade é não regressar. é que quando voltar de barcelona vou ter de arrumar a minha vida. e não sei se vou ter energia.

ilustração: joão vaz de carvalho.

passo um.

passo dois.

final: feliz? quando um ilustrador em nova iorque vê uma rapariga, no metro, por quem se enamora e faz um apelo via web, a história foi parar aos jornais. mas, aparentemente, teve um fim. as imagens são daqui, e a história está aí também. ou parte dela, pelo menos. cada um pode fazer o final que quer…

read at work

porque, afinal de contas, ou estamos para ir de férias ou a vir, e a vontade de trabalhar é nula.

e foi preciso uma discussão por um motivo estúpido para todas as inseguranças se desvanecerem e perceber que, afinal, era mesmo isto que eu queria e está mesmo tudo bem, que-coisas-inventas-tu. as discussões são coisas engraçadas, às vezes em vez de darem para o torto, dão para o direito… e acabam comigo a acordar num perdão mútuo e tácito sem falas, porque às vezes o corpo é toda a linguagem de que precisamos.

[foto: tim walker, aqui]

na noite de sexta-feira fui a uma festa para celebrar um divórcio – neste caso, um ano passado desde a separação final. não conhecia ninguém a não ser a pessoa que estava a acompanhar, daí o sentimento colado à pele de me estar a imiscuir em algo privado. não sendo alheia ao conceito, acabei por receber mais do que estava à espera, e inicialmente aquilo que era apenas a companhia a uma amiga tornou-se algo perto de uma lição de vida. duas mulheres jovens, bonitas, divorciadas, grau zero de amargura e risos frescos a contrastar com o quente do ar [a que dava a festa, e a amiga, com a abertura de espírito perante a vida a revelar-se também na hospitalidade oferecida de mãos abertas a quem mal conheciam e “invadia” o espaço]. lembrava-me de escrever sobre o que diria à minha filha acerca do amor – que a perfeição muitas vezes é finita, e não há mal nisso – e sorria porque tinha a prova à minha frente, duas vidas que não abalaram o ritmo por causa de um divórcio. dói, sim. aliás, diziam elas, é fulcral que as pessoas percebam isso, nunca será um processo fácil, afinal de contas é um projecto de vida que se desmorona, a bem ou a mal. mas fica a amizade, se for possível. quando não é, fica uma nova vida.

a conversa passeava-se por este e outros temas, acabando comigo a conduzir para casa sem ligar aos semáforos [what else is new?] e tecendo mentalmente um plano de vida, novo, fresco. passei em revista os últimos meses, atravessados num trabalho que me desapaixona, e resolvi que estava a desperdiçar energias enquanto me queixava e sentia mal com ele. afinal, é uma “plataforma”, dizia-me uma delas.

às vezes as noites inesperadas são as mais carregadas de significado.

hoje preciso de ar.

apenas.

– just take me, please, I can’t stand being with myself today.

[foto de anna reinert]

wordle

faltam dez dias úteis até às férias.

[suspiro]