na noite de sexta-feira fui a uma festa para celebrar um divórcio – neste caso, um ano passado desde a separação final. não conhecia ninguém a não ser a pessoa que estava a acompanhar, daí o sentimento colado à pele de me estar a imiscuir em algo privado. não sendo alheia ao conceito, acabei por receber mais do que estava à espera, e inicialmente aquilo que era apenas a companhia a uma amiga tornou-se algo perto de uma lição de vida. duas mulheres jovens, bonitas, divorciadas, grau zero de amargura e risos frescos a contrastar com o quente do ar [a que dava a festa, e a amiga, com a abertura de espírito perante a vida a revelar-se também na hospitalidade oferecida de mãos abertas a quem mal conheciam e “invadia” o espaço]. lembrava-me de escrever sobre o que diria à minha filha acerca do amor – que a perfeição muitas vezes é finita, e não há mal nisso – e sorria porque tinha a prova à minha frente, duas vidas que não abalaram o ritmo por causa de um divórcio. dói, sim. aliás, diziam elas, é fulcral que as pessoas percebam isso, nunca será um processo fácil, afinal de contas é um projecto de vida que se desmorona, a bem ou a mal. mas fica a amizade, se for possível. quando não é, fica uma nova vida.

a conversa passeava-se por este e outros temas, acabando comigo a conduzir para casa sem ligar aos semáforos [what else is new?] e tecendo mentalmente um plano de vida, novo, fresco. passei em revista os últimos meses, atravessados num trabalho que me desapaixona, e resolvi que estava a desperdiçar energias enquanto me queixava e sentia mal com ele. afinal, é uma “plataforma”, dizia-me uma delas.

às vezes as noites inesperadas são as mais carregadas de significado.