tenho um novo mantra:

há uma primeira vez para tudo.
há uma primeira vez para tudo.
há uma primeira vez para tudo.
há uma primeira vez para tudo.
há uma primeira vez para tudo.

eu nunca estive desempregada, em três anos e quatro ou cinco empregos, mas se calhar ao ritmo que a coisa vai até experimento isso este ano. diz que os ordenados vão demorar, ai a crise bate à porta vamos matar-nos todos a trabalhar.

no fundo a culpa é minha que ninguém me mandou ser ambiciosa. querer uma carreira. que palavra, “c-a-r-r-e-i-r-a”. achar que devo receber o que é justo pelo meu trabalho, acreditar que mereço ter uma ocupação que me preencha. diabos. já agora, achar que o homem lá de casa devia ligar menos vezes o computador e mais vezes aqui a je, ser bem educada a ponto de não saltar para cima do meu terapeuta (é que ele é tão querido), a ponto de dizer bom-dia-boa-tarde à tríade dos infernos aqui da sala ao lado que nem me cumprimenta na rua (olhares de desdém não contam) em vez de lhes atirar ovos podres, a ponto de aturar um chefe que espera que eu faça o trabalho de duas pessoas literalmente de uma noite para a outra. ninguém me mandou achar que tinha direito a ser feliz e realizada e que ser boa e honesta era algo a que eu devia aspirar.

ai espera, disseram-me isso, sim.

ou seja, no fundo a culpa disto tudo é da minha mãe.

sinto-me muito melhor agora, ufa.

*but it sure is a cool defense.