Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu, que longe de ti sou fraco
eu, que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono

Mia Couto

não, não vou cortar os pulsos. é que é tão verdade…

em jeito de adenda para desanuviar o ambiente: a tríade dos infernos continua infernal, se bem que as férias são uma boa altura porque elas ficam reduzidas, thank god. não tenho escrito porque ando meia macambúzia (sempre quis utilizar esta palavra) mas não faz mal, a beleza de escrever para o ar rarefeito da blogoesfera é que nenhuma das pessoas que continuam a vir cá diariamente (beijinho, beijinho) manda vir comigo. ao contrário de outras (“esse texto não está apelativo o suficiente!”, diz ela que não sabe escrever sem erros). ando aqui em pulgas para saber se recebo subsídio de férias ou não. é que era o primeiro, em três anos de trabalho, e dava jeito. ah e queria um t1 para arrendar……… anyone? contarei novidades à medida que for emergindo do raio do pântano em que me meti (é que nunca mais aprendo, santa paciência).