Archives for the month of: Setembro, 2009

estou esperançada, pela primeira vez em três meses – sim, contei. vou trocar de trabalho [não foi propriamente pelo processo mais pacífico, mas já acalmou], o que me deixa imensamente feliz. nervosa como tudo, com menos dinheiro [vou receber menos nos primeiros seis meses portanto nada de me acusarem de capitalista] mas esperançada. esperançosa. esperançando, penso se será o facto de ser novinha, or so they say, que me impulsiona à procura de algo melhor ou se serei sempre assim, incapaz de me conformar com algo que me faz soltar uma sonora asneira todas as manhãs úteis do último ano. estou à espera que corra bem, sim, mas tenho a perfeita noção que a partir da próxima semana não há margem para erros. mas estou contente, estou. espreitando uma vida nova. é tão bom.

por outro lado, se o trabalho poderá começar a correr bem, a vida amorosa anda a tornar-se amarga. enfim, uma em duas já não é mau.

soundtrack do dia: jill scott.

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Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras

de todos os dias


(O soneto que só errado ficou certo)

Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias

para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,

que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias

e esta ternura dos olhos que se dão.

Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão

– mas o desejo de ser a noite que me guias

e baixinho ao bafo da tua respiração

contar-te todas as minhas covardias.

Ao pé de ti não me apetece ser herói

mas abrir-te mais o abismo que me dói

nos cardos deste sol de morte viva.

Ser como sou e ver-te como és:

dois bichos de suor com sombra aos pés.

Complicações de luas e saliva

josé gomes ferreira.

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tenho desenvolvido um fascínio por blogs de design e fotografia de interiores (e não só, desde moda a literatura também), onde encontrei esta foto daquilo que é, muito aproximadamente, a minha casa de banho de sonho. esta compulsão pelas casas dos outros nasce por causa da indecisão e roda-viva que é a minha vida há dois anos e meio. ora a minha, ora a dele, ora a dos meus pais; ora a minha, ora a dele, ora a dos meus pais. imagino sempre vidas nestas casas, a partir das quais vou construindo mentalmente a minha casa de sonho (bom, posso sempre alegar que é um trabalho de preparação e na altura já sei exactamente como quero as coisas…): os livros espalhados um pouco por todos os cantos, empilhados democraticamente; as revistas a povoarem a sala; o sofá confortável onde se vêem os filmes, onde se adormece a ler; os copos de vinho que nos acompanham sempre; os lençóis lavados ao sábado de manhã; as janelas grandes e luminosas; a cozinha com uma das paredes coberta de posters de filmes; maçanetas de portas antigas, encontradas em mercados de rua, a servirem de porta-casacos… acima de tudo, um lar onde faça parte. sim, acho que é tão simples como isso: um lar onde pertença.

acho que foi o acto de me puxares da cama para passares tempo comigo e me deixares dormir na mesma, só que desta vez ao teu colo, no sofá. amor é isto.