todas as tuas coisas cabem em três horas, nas quais enches a imensa variedade de malas, sacos, trolleys e, até, sacos grandes de plástico, que acumulaste ao longo da tua vida. três horas nas quais rasgas os collants, sujas o vestido (e aprendes a nunca fazer mudanças com a roupa que levas para trabalhar), espirras com o pó, até olhares em volta e perceberes que os espaços vazios rodeados por pó eram, simplesmente, tu. e que tu saíste dali. não choras. segues em frente.

e conduzes devagar porque de cada vez que fazes uma curva a imensidão de malas, sacos e afins acima referidos ameaçam cair para cima de ti.