tenho as melhores amigas do mundo: sempre me apoiaram enquanto eu quis manter a relação que tinha e rapidamente se desvanecia e, também, quando (finalmente) acabou (mesmo que o finalmente não implique que tenha sido sem uma enorme quantidade de dor, caramba), foram as primeiras a vilipendiarem, agradável e entusiasticamente, o meu agora ex. entre debates sobre os porquês de finais, meus e delas, nasceu uma lista de coisas que, sabem, não há muito a fazer, take it or leave it, sou mesmo assim, o universo é grande e alguém há-de gostar. enquanto não encontro esse alguém, falo no plural.

1. só me sinto verdadeiramente à vontade numa cozinha se for para ir lá buscar comida. não para cozinhar. não me sai naturalmente. posso fazê-lo, e faço-o diariamente (infelizmente para o meu estômago), e há ocasiões em quero mesmo (quando é para fazer bolo mármore, tarte de limão ou cheesecake, ou quando é para namorar, claro…). no dia a dia? um peso. um fardo. argh.

2. esta retiro da experiência de uma das minhas melhores amigas: não me ponham uma bacia na banheira para regar as plantas com a água fria que se desperdiça enquanto a dita não aquece porque, primeiro, eu reciclo de outras formas  e desastrada como sou tropeço na bacia e parto o pescoço e, em segundo lugar, ficam banidos da dita banheira para sempre. e não querem isso. trust me.

3. se eu estiver um mês à espera que determinado livro saia, quando me apanham a lê-lo finalmente, não incomodem. aliás, ofereçam-me o livro e vão sair com os vossos amigos nessa noite. sim, eu sou permissiva.

4. se eu me queixar da emel por me ter esquecido de pagar o parquímetro na rua do escritório, não me atirem à cara que havia um descampado perfeitamente saudável e sem emel para o meu carro a 700 metros e perguntem antes: “estavas de saltos não estavas? coitadinha, fizeste bem em estacionar ao pé da porta”.

5. abrirem caminho para mim na confusão do bairro alto: sim. sim. sim. muito grata. pago-vos a imperial seguinte.

6. quando vou a casa no fim de semana, ter alguém à minha espera em santa apolónia, no regresso, é algo que me faz profundamente feliz. especialmente se não tiver de ir sozinha até ao carro, carregada, mas tiver uns braços acolhedores logo quando o comboio pára. ui.

7. ensaiem comigo: eu (e qualquer outra mulher) nunca quero a resposta verdadeira à questão “achas que estou mais gorda?”.

8. haja alguém que um dia me ofereça um par de louboutins!

9. nunca me podem deixar cair. somos nós contra o mundo.