Archives for the month of: Fevereiro, 2010

a revista new york (nymag.com) publicou um artigo com 50 passos para a felicidade. alguns deles incluem:

1) fazer a cama diariamente – aparentemente contribui para uma sensação de ordem e calma. eu puxo-lhe apenas as orelhas, como diz a minha mãe. mas ajuda!

2) não ir beber copos com os amigos de estômago vazio, especialmente porque depois se comem porcarias – ora, eu acho piada a essa parte da noite, mas acordar no dia seguinte sem as dores de barriga dava jeito, dava…

3) dizer sempre que sim quando o namorado(a)/companheiro(a) quer fazer sexo – com esta concordo inteiramente.

4) comer chocolate preto todos os dias – check, check and double check, embora não seja preto, mas de leite, tenho pena, mas também há-de fazer bem.

5) mudar de estilo, arriscar – fico sempre feliz com mais uma desculpa para ir às compras.

muito mais aqui. acho que não ser despedida – i.e., ir mas é trabalhar – também deve contar para a minha felicidade, portanto vou ver se torno esta sexta-feira produtiva…

a minha avó não era uma pessoa consensual. lembro-me de ter discussões com os meus pais porque ela, quando eu era adolescente e saía à noite, os mantinha acordados com uma diatribe constante de é-assim-que-estão-a-educar-a-vossa-filha-ai-jesus. lembro-me de ela nunca ter gostado do meu pai, porque ele não era tudo aquilo que ela achava que ele devia ser, como marido da sua filha – rico, médico, advogado. não concordava com os princípios dela. discuti muito com ela. deu comigo em doida várias vezes, disse mal dela mais vezes do que me quero lembrar.

mas nunca consegui não gostar dela. era um dos meus portos de abrigo. havia tanta coisa boa para se gostar. tanta. há dois anos começou a encolher, aquele sinal de velhice transparente. ficou frágil. começou a esquecer-se de coisas. a culpa que sinto por todas as discussões que tivemos, por não ter estado diariamente com ela, ainda não me largou. e de repente o fim.

são dois meses desde o dia em que aprendi, firmemente, a não me desperdiçar. dois meses de ausência que ainda não arranjou forma de se habituar a mim. o tempo que perdemos em males menores não cessa de me surpreender e tento sempre, agora, relativizar. às vezes não consigo, mas já fui capaz de soltar amarras e gostar, simplesmente, sem freio.

os maiores entraves são aqueles que nós próprios criamos.

somos as pessoas que nos deixam, as que encontrámos ainda agora, a pessoa que nos deixam ser. somos a casa onde respiramos, as ruas que pisamos, as viagens em que nos embrenhamos, os livros que nos seduzem.

hoje sou a pessoa que decidi ser num final de semana gelado, em que tinha duas opções: torturar-me com dúvidas, ses e porquês, ou saltar. eu saltei.

foto-inspiração do dias assim. que adoro.

sou apaixonada por cidades, pelo ruído e desassossego. a noção de campo, para mim, estará sempre ligada a férias; acampar será sempre a última hipótese. dêem-me algum asfalto e avenidas largas, e sou feliz.

esta semana, no entanto, tudo o que me apetece é amor e uma cabana – como esta casa isolada na islândia. até o cliché eu suportava. é o que dá ter adocicado de surpresa.

este foi o mote de hoje: rodeada de reuniões e pessoas de vistas curtas.

hei-de ir a suspirar o caminho todo até casa.

foi um cabaret e o alentejo, o frio a entrar por todos os poros, a tranquilidade inesperada, temperada com o desequilíbrio da paixão e a vontade de dar pulinhos no mesmo sítio, qual adolescente, a guinchar OMG OMG OMG – I’m in love.

[suspiro]

elva fields, que vai ser o ai-jesus da minha conta bancária um dia.

mood actual: de bem com a vida.

[suspiro]