esta fotografia foi o que de mais inspirador vi hoje.

nunca pensei muito no futuro que terei daqui a umas décadas, quando tiver idade para ser avó e cabelos brancos (bom, isso já tenho por acaso). penso sempre no que virá nos próximos anos. acho que sempre acreditei, algures lá bem fundo, que iria ter uma família, e netos, e filhos, e uma casa cheia (sempre quis uma casa cheia), e ainda estaria a fazer algo de produtivo como ter uma loja ou trabalhar em part time ou o que quer que seja, e viajar.

e sempre pensei que iria ser capaz de ser feliz com uma pessoa esse tempo todo, ou porque tenho esse exemplo por parte dos meus pais, e de outros pais (a minoria, sim), ou porque fui formatada para isso devido à educação católica que me deram, ou então simplesmente porque vi demasiados filmes da disney.

mas 2010 fez com que repensasse tudo isso e agora não consigo imaginar o meu futuro daqui a uns anos, ou este ano sequer. tinha uma espécie de bússola emocional que me dirigia sempre para a recuperação, para o norte futuro, uma qualquer sensação de “ainda não era isto”. acho que parti essa bússola e ando a recuperar os pedaços espalhados no chão porque de repente se acumularam uma série de redondos falhanços e eu perdi tudo – norte, sul, qualquer sensação de direcção.

no entanto talvez isto não seja mau de todo. posso acabar por ser avó e morar na índia, posso ter apenas uma família alargada de amigos, sem nunca ter tido filhos, posso acabar por morar noutro país definitivamente. se calhar 2011 é o ano que acaba bem. talvez seja o ano em que encaixo definitivamente na minha pele. de qualquer das formas, noites sem dormir e cara funda incluídas, acaba por ser uma altura em que sinto que tenho tudo absolutamente em aberto. e talvez corra mesmo tudo bem depois de correr tudo mal e eu acabe por ter a pinta da senhora da fotografia (já ficava contente com apenas metade). e sim, isto pode ser ingénuo. mas que se lixe. é um minuto de ingenuidade e é o primeiro que tenho em três semanas.