o “mas” é uma palavra terrível, terrível.

nos últimos dias o tema principal de conversa tem sido a morte de carlos castro. e todos expressamos indignação, surpresa, desânimo com a humanidade, suspiros teatrais. e o que mais oiço são “mas”.

“mas” não sabemos o que ele fez ao rapaz. “mas” é preciso ter cuidado com estes gays (normalmente referidos através de um qualquer termo pejorativo). “mas” se calhar o rapaz simplesmente fartou-se! “mas” o renato gostava de raparigas. “mas” esta gente é toda a mesma. “mas” coitadinho do rapaz, o outro já lhe estragou a vida (isto foi esta manhã no autocarro….). caixas de comentários de jornais, página de fãs do Renato Seabra no Facebook… para além de me irritar que o cerne da questão seja o facto de um ou os dois serem gays, fico abismada com a quantidade de erros ortográficos nesses comentários.

e dou por mim a imaginar que estes comentários online, que muitas vezes não são assinados, podem ser até de um colega de trabalho ou de um amigo. e irrita-me. ando irritada com muita coisa mas hoje, especialmente, por causa disto. porque o “mas” de o Carlos Castro ser gay (perdão, ter sido gay) e a culpabilidade desse facto no seu destino (como se pudesse existir alguma), não interessa nada. nada.

uma pequena amostra deste tipo de comentários no artigo de opinião de Ferreira Fernandes (com o qual concordo inteiramente).