– quando há uma travagem intensa, os pneus podem criar bolhas de ar quente, fazendo com que o carro solte uns queixumes que levam à chamada de um reboque ao engano (“mas o seguro não cobre pneus novos?? não? então pode trocar-me este…? e agora só podemos ir a 80?!”). moral da história: quando uma viagem começa assim na primeira meia hora, só pode acabar bem;

– “sabiam que a taxa de suicídios em odemira é a mais elevada do país?”

– a dona rosa, que mora em malavado, é a pessoa mais amorosa do alentejo. o esquentador da dona rosa, no entanto, é provavelmente o electrodoméstico menos fiável da história. pelo menos aprendemos todas a ser ecológicas e a tomar banhos de dois minutos, não mais, até porque a aranha que vivia na casa de banho se dava ares de proprietária e começava a perder o medo e a passear nos azulejos;

– o alentejo tem efeitos secundários: basta ver pelo Sargo, personagem da zambujeira do mar, dono do “espera-me entrando”, e pelo facto de percebermos apenas metade do que ele dizia. botox na boca, metade do cérebro queimado, podia ser muita coisa… mas lá que era divertido, era;

– o senhor da oficina de são teotónio é um amor;

– quem disse mal de beber álcool na praia nunca experimentou caipirinhas ao sol depois de um susto “ai que iamos morrendo na autoestrada”;

– o osso humano é cinco vezes mais forte que o aço; eu consigo desenhar a península ibérica com um arame; o party & co é viciante;

– “é que não há nada em volta. podemos despachar-nos? tenho medo de florestas à noite.”

– “vamos ir embora?”

– para se chegar à praia da amália são precisos uns dez minutos de corta mato por uma floresta (ui, adorei); com direito a lama, pseudo escadas de madeira, e vislumbres de cobras pelo caminho. a cascata de água doce compensa;

– apanhar lapas é um crime; apanhar lapas com cartões multibanco é uma arte (já dominada);

– perante as placas: “monte? mas qual monte? ah: sardanito. estamos bem, já não estamos perdidas. mas qual monte?”

– ir para praias onde não há rede de telemóvel equivale a seis meses de terapia (zambujeira, almograve, amália, carvalhal);

– existe uma música pimba cujo refrão começa por “miauuu miaauuu….”. true story;

– e finalmente: qualquer viagem deve acabar com quatro gajas a cantar a “time of my life” a plenos pulmões.

* aprende-se a ser feliz.