tenho uma colega de trabalho mais que colega de trabalho, já, que se tornou este ano uma das minhas maiores inspirações e exemplos. ontem culminou um processo extremamente doloroso para ela – o de perder o pai, com cancro repentino. nunca lhe disse que imaginava o que ela estava a passar, porque não imagino. posso conceber hipoteticamente, posso desenhar cenários futuros que espero que nunca se concretizem, mas apenas isso.

o que lhe ia dizendo, e continuarei a dizer sempre, é que ela é uma inspiração. uma força da natureza. durante os seis meses (ou pouco mais) de internamentos, operações, tratamentos, ou visitas de ambulância a meio da noite, foi ela que segurou a família. tem um irmão de 13 anos, e uma mãe que nisto conseguiu apenas ser filha dela, revertendo os papéis. tem preocupações financeiras que se podem tornar graves. e ela vinha trabalhar com o mesmo sorriso e energia, continuava a ouvir as nossas histórias pouco românticas de faca e alguidar e ria, dava-nos conselhos, aguentava o forte.

a joana é das pessoas mais fortes que conheço. sei que, se os papéis estivessem invertidos, o mais provável era eu ceder ao mau humor e mau feitio (que já são apanágio da minha pessoa em circunstâncias normais, aliás), desligar, fechar-me na dor, virar-me para a família e ficar sem energia para o resto. ela, não. tem um namorado fantástico de longa data em quem se apoia, o que a ajuda imenso, mas também conseguiu apoiar-se em nós enquanto nos ouvia e ajudava ao longo destes meses. acima de tudo, a joaninha é forte. não largou a dor dela em cima de toda a gente, não deixou de dar importância aos nossos pequenos dramas que nada são comparativamente ao que ela estava a passar, e mesmo assim sempre nos ouviu, aconselhou, ajudou e amparou, nunca menosprezando as nossas histórias.

não estou a dizer que há formas certas ou erradas de lidar com uma dor destas. não há.

mas do alto do seu metro e cinquenta e tal e 23 anos, a joana deu-nos a todos uma lição de vida. hoje lá estaremos a apoiá-la, e nos dias que vêm também.

porque pessoas destas fazem falta.