estou a chegar “à” idade…

“então e quando voltas para aveiro? assentar? podias arranjar um namorado cá. se bem que tens trabalho estável lá em lisboa… estás tão crescida. mas precisas de um namorado. podias arranjar um aveirense. e voltavas para cá. então e quando voltas para aveiro? assentar?”

ninguém entende que eu sou uma fraude e não sei como colo os dias uns aos outros de forma precisa. ainda acordo às 5 da manhã a pensar que se me faltar trabalho tenho demasiados livros para empacotar e, sinceramente, um rabo demasiado grande para meter entre as pernas e regressar aos pais. não é agora que me sinto adulta, capaz, é sim agora que sinto que não estou a ser nada do que devia ser. por isso toca a enfardar amêndoas e a trocar os nomes aos tios e tias, enfiando depois o nariz num livro sem deixar que o beijo de boa noite da minha mãe se demore pouco.

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